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Jorge Penny, cai nos carrers de Barcelona com ginga brasileira, leva porto alegre no coração e no acento, com a vida faz jazz assobiado, ama sua mama, sua nanda e seus desenhos, adora cozinhar, viajar e escrever longos e-mails.

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E faz um sol que te cagas, tudo azul e eu com vinhos e línguas na cabeça, milhares de planos para o futuro e possibilidades para todos. Ainda estamos na de contar passagens de metrô e os trocados pro pao demanha, mas mesmo assim aparecem amigos sorridentes, esperanças coloridas e situaçoes gostosas. Falo pouco por agora pois minha classe vai começar em seguida. Entro na reta final do meu curso, agora falta um mês, e no balanço das coisas aprendi autocad, que espero me seja útil em breve e melhorei consideravelmente meu ouvido pro catalao, o q é fundamental para a sobrevivencia por aqui. Ah, e aproveitamos o final de semana e tb fizemos umas mudanças em casa, em breve coloco umas fotinhos por aqui. Acho q era isso. Hasta pronto.

coisa de jorge | 28.4.03 | e-mail |


sí, acuerdo de mi y de mis ilusiones...

EL NIÑO BUENO

No sabré desatarme los zapatos y dejar que la ciudad me muerda los piés,
no me emborracharé bajo los puentes, no cometeré faltas de estilo.
Acepto este destino de camisas planchadas,
llego a tiempo a los cines, cedo mi asiento a las señoras.
El largo desarreglo de los sentidos me va mal, opto
por el dentífrico y las toallas. Me vacuno.
Mira qué pobre amante, incapaz de meterse en una fuente
para traerte un pescadito rojo
bajo la rabia de gendarmes y niñeras.

Julio Cortázar

coisa de jorge | 27.4.03 | e-mail |


Y el viejo era cursi...

BOLERO

Qué vanidad imaginar
que puedo darte todo, el amor y la dicha,
itinerarios, música, juguetes.
Es cierto que es así:
todo lo mío te lo doy, es cierto,
pero todo lo mío no te basta
como a mí no me basta que me des
todo lo tuyo.

Por eso no seremos nunca
la pareja perfecta, la tarjeta postal,
si no somos capaces de aceptar
que sólo en la artmética
el dos nace del uno más el uno.

Por ahí un papelito que
solamente dice:

Siempre fuiste mi espejo
quiero decir que para verme tenía que mirarte.

Julio Cortázar

coisa de jorge | 25.4.03 | e-mail |


O blog anda sem novidades quentes, mas sabe como é: melhor nao falar nada que ficar se queixando. Nos últimos dias eu e a nanda andamos somatizando pequenas diferenças de postura com nossas colegas de piso, e na verdade é triste que todos so problemas desse mundo acabem sendo sobre dinheiro. No mais a nanda anda distribuindo isqueiros pra camel nas tabacarias da cidade, e eu me metendo em todo e qq concurso q apareça. Estou na segunda fase de um sobre webs, mas meu sócio programador é um catalanet don juan qq só quer saber de las chicas, de formas q nao sei como iremos, mas temos chance. E no mais algumas coisas de ilustraçao. A verdade é que prefiro contar coisas quando estou bem, mais do que ficar remoendo minhas angústias, e por isso um pouco desse silêncio. Mas vou aproveitar umas duas horinhas que tenho aqui na biblioteca da UAB para postar e navegar.

coisa de jorge | 24.4.03 | e-mail |


Diz a lenda que Jorge, guerreiro vindo da Capadócia, Turquia, teria salvo umaprincesa das garras de um terrível dragão. Jorge, com sua espada, domou o dragão,que a princesa conduziu de volta a seu povoado como um manso cordeirinho. Omisterioso cavaleiro disse ter vindo em nome de Cristo e que todos deveriam seconverter. Por fim, o glorioso mártir foi condenado à morte por ter renegado osdeuses do império. Durante seu martírio, Jorge mostrou-se tão inflexível que aprópria mulher do imperador Diocleciano converteu-se ao cristianismo. Embora Jorgenão seja mais considerado santo pela Igreja católica, seu culto é autorizado pelatradição. São Jorge é patrono da Inglaterra, Portugal, Geórgia e Lituânia.(fonte: SGARBOSSA, Mario e GIOVANNINI, Luigi - Um santo para cada dia, São Paulo:Paulus, 1983, 9ª ed.)

* coincidentemente, ontem, dois amigos me mandaram este texto, e resolvi por bem dividir com todos. Salve meu pai ¡Ogum ye! e todos os georges, jorges, giorgios, jordis...

coisa de jorge | 24.4.03 | e-mail |


E ontem foi Dia de Sao Jorge, ou San Jordi por aqui, uma festa bem bacana em que o costume é regalar livros e rosas, acabei ganhando uma rosa da minha princesa - algo um tanto original, sendo que eu que deveria fazer isso, mas minha situaçao atual nao permite galanteios, mas igual foi bem legal ver tanta gente na rua tudo abrilhantado por um dia super lindo. E apesar de andarmos meio em crise (oi, só pra variar) mesmo assim, ou exatamente por isso, fomos a uma festa na praça da catedral onde tinha um ball de dracs, ou baile dos dragoes, que foi super lindo. Monstros cuspindo fogo e girando em meio a um povo eufórico e feliz. Agora entendo totalmente La Fura del Bauls e tudo aquilo q eles fazem, na verdade sao tradiçoes muito antigas e aproveitamos para sermos purificados pelo fogo dos monstros, só posso dizer que vejo o nosso futuro cheio de luz e alegria como estava a cidade ontem. Apesar de a coisa andar ainda meio nublada.

coisa de jorge | 24.4.03 | e-mail |


otra para ella...

DESPUES DE LAS FESTAS

Y cuando todo el mundo se iba
y nos quedábamos los dos
entre vasos vacíos y ceniceros sucios,

qué hermoso era saber que estabas
ahí como un remanso,
sola comigo al borde de la noche,
y que durabas, eras más que el tiempo,

eras la que no se iba
porque una misma almohada
y una misma tibieza
iba a llamarnos otra vez
a despertar el nuevo día,
juntos, riendo, despeinados.

Julio Cortázar

coisa de jorge | 23.4.03 | e-mail |


Poesia
essa injusta e maltratada forma de escrever, por vezes piegas, por vezes incompreensível. E acontece que por estas bandas me caiu em maos um livro de poemas de Cortázar - sim o viejo também aprontou das suas, e esse de fato foi o último livro publicado em vida pelo mestre. Como nao poderia deixar de ser estou devorando aos pouquinhos, com calma e degustando cada pérola com o tempo que deve ser dedicada a boa leitura. E a notícia boa é que vou publicar por aqui algumas que me agradaram - geralmente as bem simples - e ver se assim animo meus 17 leitores. E também provoco Odyr, que se retorce toda vez que ouve a palavra poesia, mas e agora che, ¿como falar mal da poesia Dele?

coisa de jorge | 21.4.03 | e-mail |


nem preciso dizer a quem me remete essa...

LA CAMARADA

Claro que sos mi camarada
porque sos más, sos siempre más.
Hay la ruta en común, el horizonte
dibujado con lápiz de esperanza,
hay la amrgura del fracaso
a la hora en que los hornos no se encienden
y hay que palear de nuevo el carbón del mañana.

Claro que sos mi camarada
porque sos la que dice no, te equivocaste,
o dice sí, está bien, vayamos.
Y porque en vos se siente que esa palabra es una
lenta, feliz, necesaria palabra:
hay cama en camarada,
y en camarada hay rada,
tu perfume en mis brazos,
tu barca anclada al lado de la mía.

Julio Cortázar

coisa de jorge | 21.4.03 | e-mail |


É sempre no passado aquele orgasmo
é sempre no presente aquele duplo
é sempre no futuro aquele pânico.

É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.


Carlos Drummond de Andrade
O enterrado vivo.

uma do velho Drummond, que andava solta pelas idéias de Cortázar...

coisa de jorge | 21.4.03 | e-mail |


memorias y polvo...
Escrevo ao léu numa noite de frio e vento, escrevo pelavras que esse mesmo vento que atravessa vidros me trás de presente. Olho pra frente e vejo nada mais que uma parede amarela com o mapa da velha europa. Procurava o novo e me encontro tonto tentando mover o moinho de acomodações e tradição que conduz esse tempo de mentiras e guerras justificadas em que todos compartimos ilusões.

coisa de jorge | 13.4.03 | e-mail |


Pontes destroçadas por um ataque fulminante de nervos, conduzia pelos escombros olhos vistosos e que de brilhar ofuscavam tudo em que se detinham.

coisa de jorge | 11.4.03 | e-mail |


Ponderava acerca das possibilidades, olhava a fumaça que se erguia diante dos seus olhos contra um sol de meiodia e sorria de um desenho animado dublado em uma língua estranha a sua. Queria mover-se e mover o mundo ao seu redor, queria tanto e tanto, e sempre queria mais quando se colocava a conversar com seus amigos. Pensava nos distantes e mudava de canal, uma propaganda idiota lhe fez sorrir e se esqueceu de pensar. Ficou feliz.

coisa de jorge | 11.4.03 | e-mail |


Carregava junto de si como algo precioso e visado. Enxergava inimigos nas sombras. Sabia ter pouco tempo para cumprir seu objetivo, mas não desanimava, pelo contrário: apertava o passo contra o chuvisco frio que molhava seus óculos. Aquele encontro por acaso na manhã do dia anterior tinha muito de destino para ser tratado como acaso. As cartas do tarô falavam em buscas internas e em superar travas. Caminhava rápido e com passos curtos, pois o chão molhado era um desafio considerável pros seus sapatos gastos, e as calçadas próximas ao parque eram todas dessa pedra lisa de um cinza chumbo. Uma freada brusca e os gritos de um motorista gordo e estúpido lhe acordaram momentaneamente do transe, levantou os olhos espantada de não haver enxergado o mundo ao seu redor até ele ter chegado tão perigosamente perto. Através dos pingos retidos nas lentes de seus óculos via um vulto de violência e curiosidades passageiras se aglomerando ao seu redor. Nào perderia tempo com aquilo, baixou a mirada e seguiu com seus passos rápidos através da multidão, o gordo bem que tentou detê-la, mas com seu corpo diminuto e esguio deslizou entre as pessoas que tentavam descobrir o motivo daquela gritaria. Duas ou três quadras depois estava parada em frente a entrada do parque, nesse momento a chuva caia mais forte e as gotas que atrapalhavam a sua visão eram agora pequenos rios que escorriam pelo seu rosto e sentia o frio e a chuva se acumulando em seus pés. Ele estaria lá, no banco em que tantas vezes se encontraram na época em que trabalhavam juntos no departamento. Ele estava igual, lindo, um pouco mais gordo e com uma aparência de cansado, disse que estava cheio de responsabilidades e que havia viajado no final de semana com as crianças, deveria ser um pai maravilhoso e era isso que trazia apertado junto ao peito, todos os escritos dos últimos seis anos, todas as recordações e emoções que achou por bem registrar desde o dia em que ele falou de pé, com o sol batendo na cara com o olhar distante e frio pra uma menina de olhar inocente e apaixonada de apenas 19 anos que, infelizmente, sua mulher estava grávida e que não poderiam mais se encontrar, que não poderia pensar em se separar agora que teriam um filho, e blá, blá, blá... Naquele dia não chorou, desejou-lhe muita felicidade, disse que respeitava muito a sua decisão e que sem dúvida ele era um homem especial e blá, blá, blá...
Foi quando escreveu naquele caderno pela primeira vez que chorou, e muito, e desde então escrevia todo dia o diário da sua gravidez, o parto, as noites sem dormir, as primeiras alegrias e tristezas que a vida em família lhe causava. Tinha tudo registrado, nos mínimos detalhes, havia criado um mundo ideal em que era a mãe do filho do homem da sua vida e queria dividir com ele todos aqueles momentos lindos. Estavam todos apertados em seu peito em letra cursiva detalhadamente caprichada, todos aqueles anos em que não lembrava de nada mais que as palavras escritas nos pedaços de papel que levava junto do seu corpo pequeno, frágil e molhado. Tinha toda a sua vida apertada contra si e a mesma faca com que havia cortado os pulsos antes de acordar naquele hospital com o caderno a seu lado. O pior da chuva parecia haver passado, voltou a ouvir o barulho da cidade e como que retornou do transe, olhou fixamente para dentro do parque e pensou no nome dele enquanto andava firmemente apertando nas mãos um caderno cheio de sonhos e uma faca marcada de loucura.

coisa de jorge | 11.4.03 | e-mail |


Meus dias de pão e esperas

Rumbé sin novedad por la
veteada calle
que yo me sé. Todo sin
novedad,
de veras. Y fondeé hacia cosas
así,
y fui pasado.


César Vallejo, Trilce.

Um pouco de realidade: por esses dias tenho saído meio dia e 15 de casa, e vou de ferrocaril e renfe até a faculdade de biblioteconomia da UB, que fica perto da estação de Sants, onde chegam vários trens e ônibus da europa (frança, itália, alemanha...). Pois nesse prédio tenho dividido duas horas de catalão com argentinas, espanholas, italianas, uma bulgara, uma romena, uma portiuguesa e uma chinesa, ah e um alemão. As aulas vão bem e tenho dificuldade em compreender os promones e uma coisa q chama complemento condicional de lugar, que eu sempre ponho no lugar errado. A classe acaba às 3 da tarde, e eu fico meio perambulando, geralmente visito o Angel e a Angela que moram ali pertinho. Eles tem sido amigos muito bacanas nesses tempos, e agora já me esperam com um prato na mesa. Não escondo que fico feliz por esse carinho, e nem o quanto me alegra dividir minha angustias com eles. Estamos todos nesse barco, e não sabemos bem pra onde vai.
Depois me vou pra universidade, minha aula começa às 6, e agora estamos tendo aula só com Dr. Jordi, que é o diretor do curso, mas as aulas dele são uma bosta, ele não prepara nada e inventa na hora o que vamos fazer, geralmente alguma coisa idiota e que temos que fazer todos a mesma coisa (como uma textura de xadrez amarela e preta para aplicar no autocad : ( ) O mais engraçado é q a classes de Autocad q eu pensava q seriam uma bosta foram as q mais me agradaram e às q melhor aproveitei. O curso agora vai pra reta final, teremos pela frente 2 semanas de férias (semana santa e a outra sei lá o q) e depois algo como mais 6 semanas de aulas. Acho q provavelemente não terminarei o curso com algium trabalho fixo. Mas tenho me inscrito em concursos e tem sido legal. Estamos ( eu e Josep, um gurizão q vive na residência q moramos quando chegamos aqui) selecionados para um concurso de uma web para um centro cultural daqui. O galho é q essa parte do trabalho depende muito dele, e ele só tem cabeça pra mulheres, mas tentarei dar uma de diretor e colocar o guri no caminho do trabalho, ou perderemos o concurso...
No mais tenho passado longos momentos na biblioteca da universidade e na sala de informática. Os momentos na biblioteca são os melhores, já q os computadores da sala de informática são uma bosta e demoram em média 3 minutos (cronometrados) para cada operação. De maneiras q duas horas em frente a um ordenador daqueles me dá para ler e responder rapidamente 5 e-mails, o q me deixa meio triste, pois gostaria de fazer mais, como por exemplo postar, o q tem sido impossível nesses últimos tempos.
No mais estou fazendo um trabalho pro Brasil q espero q renda frutos pois estou curtindo bastante fazê-lo e agora vou começar um outro concurso pra UB. A ver, a ver lo que sucedera... hasta luego, besitos.

coisa de jorge | 10.4.03 | e-mail |


Nadie escucha nadie, todos viven en la mentira que más les agrada. A vida esta hecha de ilusiones y posibilidades. Caminando por las calles esta todo que se cree verdad, todo hecho de piedra y sangre. Todo dinero perdido.

coisa de jorge | 10.4.03 | e-mail |


ai q dificil é usar esses computadores da universidade...

coisa de jorge | 7.4.03 | e-mail |


tempo, tempo, tempo...algumas vezes parece uma eternidade o tempo de españa, mas quando se fala, cinco meses nao sao nada. cinco meses é a apensa a ponta dos nosso ideais. E nesse tempo por aqui ainda há de se contar o tempo que perdemos, seja em filas, em esperas, em angustias, em quimeras. E o tempo que passamos sentados naquela mesa, conversando, discutindo, fazendo a terapia sagrada de todos os dias, esse tempo tao pouco volta ou se recupera. E também deve-se pensar no tempo que se gasta em transporte e caminhadas, no tempo que se gasta para cozinhar, lavar a louça, fazer um cafézinho, e para as meninas fumar um cigarrinho...ui, pode-se dizer q desses cinco meses, vivemos de verdade Barcelona uns 2 meses, e olhe lá, pois nem contei as horas de sono, que nao sao poucas.

coisa de jorge | 7.4.03 | e-mail |


Oi, qt tempo gente. desculpa aí, mas a vida tá corrida, curso de català, concursos, trabalhos, aulas na universidade...mas estamos bem e seguimos com casa e comida na mesa, sem um trabalho fixo, mas com alguns projetos e coisas por render uns trocados. De novo e básico comunico a deserçcao do nosso companheiro Enrique q dividida piso com a gente por aqui e simplesmente foi pra argentina fazer uns papéis pruma bolsa aqui e desde lá decidiu q a vida aqui era muito difícil e nao voltará mais :O nos quedamos boquiabertos e impressionados com a frieza com q disse isso e ainda nao nos recompomos totalmente, e o pior é q no mesmo dia O nos comunica q tb vai partir da nossa ex-casita em porto e q temos q dar um destino pro q ficou no apê. Bem, pelo menos O nos deu um mês de prazo e mal ou bem sabiamos q um dia isso ia acontecer, mas o do Enrique nos pegou no contrapé e ainda estamos averiguando como prosseguir com o barco. Mas uma coisa é certa, essas notícias nao abalaram em nada nossas convicçoes, pelo contrário, estamos mais certos e seguros do q estamos fazendo por aqui. E felizes na maior parte do tempo, o q é muito bom.

coisa de jorge | 1.4.03 | e-mail |


 


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