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Jorge Penny, cai nos carrers de Barcelona com ginga brasileira, leva porto alegre no coração e no acento, com a vida faz jazz assobiado, ama sua mama, sua nanda e seus desenhos, adora cozinhar, viajar e escrever longos e-mails.

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ando perdendo tempo demais pensando no que não deveria, mas alguns trabalhos, projetos pessoais e cuidados ao lar me colocam no rumo certo.

coisa de jorge | 27.7.03 | e-mail |


dondocas in da house. apareceram às 2 e meia da tarde, nem perguntei, aliás nem dirigi a palavra, agora estou sozinho em casa esperando a nanda, elas trancadas no tal quarto supostamente arrumando as coisas, marie e seus amigos foram comer no parque e me convidaram, quem me dera, mas prefiro ver acabar esta história de uma vez... acompanhe o desenrolar online aqui neste mesmo blog, mas atenção, as cenas de violência verbal não terão impacto e o descontrol emocional não se pode perceber em palavras.

coisa de jorge | 25.7.03 | e-mail |


coisa de jorge | 25.7.03 | e-mail |


por deus, quando esta maldição vai acabar, combinaram de vir hj das 11 até as 7 da tarde para arrumarem as suas coisas e depois na segunda ou terça encaminharem a mudança. Já são quase 1 e meia da tarde e nada... por deus, que criaturas insuportáveis, provavelmente devem estar tentando fazer alguma coisa para nos prejudicar. Pelo menos tenho minha consciência limpa e sei que não podem nada contra a gente, mas é foda ter que aguentar essas sanguessugas jogando com a gente, minha vontade era de arremessar todas as coisas aqui de cima, mas pode pegar em alguma pessoa inocente que não tem porque ser prejudicada pelo erro dos outros.

coisa de jorge | 25.7.03 | e-mail |


mãos: tremendo. respiração: ofegante. Gritei, sim gritei como nunca havia gritado com alguém na minha vida, falei na minha língua com quem não entende. Com quem só entende de jogar, de fumar porritos e brincar com a vida dos outros. Estava no meio do meu trabalho, fernanda relaxando para começar a trabalhar amanhã às 4 da manhã. O interfone tocou. Jorge, vai atende tu. certo. eram elas. A princípio uma conversa de que não vamos sair daqui sem conversar como adultos, não nos quedamos satisfechas com lo acordado, pois a ver, falemos para terminar isto de uma maneira bacana: bem, diz moni, a que sempre comeu a custas dos outros: eu não saio daqui sem o meu depósito – ah, era essa a conversa – e também quero mais o dinheiro que vão pagar da minha dívida para que eu pague. O sangue ferveu. Deste ponto em diante confesso que perdi o controle, ofendi mesmo, falei do como era fácil alguém que não trabalha exigir dinheiro de quem tá ralando pra se manter. Não bastando isso, nos diz: Rocío tem algo para falar (esta estava escutando jazz no quarto, já havia espalhado livros no tapete da sala) e começou o jogo de crianças, um minuto, dois, cinco, dez, e então? foi fernanda perguntar e aumentaram o som da música. Por deus, com quem tratamos, e ainda imaginavam que iam fazer deste um momento lindo. Dois copos d’água, eu com trabalho pra acabar, e já se passando meia hora até que a dondoca se sentisse ‘preparada’ para falar, fernanda vai outra vez a pedir por favor e volta me dizendo que elas estavam jogando tarot! Explodi, explodi como nunca pensei que fosse explodir com elas, pq já fazia dias que me esforçava e repetia que queria que imperasse o amor, que era necesário o perdão, que era necessário amar, mas ao diabo, quem pensam que são, que exigem coisas absurdas, prejudicam a vida dos outros, não fazem nada da vida e se abancam a fumar porritos e jogar tarot e fazer com que nós esperemos. SAIAM DAQUI AGORA, TOMEM ESSE DINHEIRO ( jogado violentamente no chão) SE VOCÊS NÃO TEM NADA PRA FAZER EU TENHO QUE TRABALHAR E AMANHÃ A FERNANDA TEM QUE ACORDAR ÀS 4 DA MANHÃ PRA PODER PAGAR O DINHEIRO QUE EXIGEM, SUMAM, SUMAM DESSA CASA AGORA, VOCÊS SÃO INSUPORTÁVEIS, INSUPORTÁVEIS, IN-SU-POR-TÁ-VEIS, nesse momento gritava o mais alto que minha voz permitia, apertava meus pulsos com a maior força que tinha e conclui tudo dando chutes em uma pobre caixa de papelão inocente. Pelo amor de Deus, tudo tem limite, até o cinismo, como alguém vem falar em conversar e não sair de um lugar com uma má sensação e tudo se trata de dinheiro, exigir dinheiros que pediu emprestado. Nesse momnento ainda perambulam pela casa porque ouço suas vozes, fernanda, que sempre foi a mais enojada está lá tratando de arreglar las cosas, mas eu sinceramente não conigo, precisei descarregar, tentei meditar (arrã), resoirei fundo, olhei o céu, mas escrever me pareceu o melhor, e aqui está, a segunda parte deste capítulo da novela, como alguém conseguiu me ver em fúria, e sinceramente, quem me conhece deve até rir imaginando eu tendo um ataque de raiva, mas tío (ah, felizmente estas palavras realmente me relaxaram) O pior é que ainda vou ter que aguentar elas amanhã, por Deus, eu sei que é preciso perdoar, que é preciso amar, que o ódio só faz mal a nós mesmo, mas às vezes a teoria não dá conta de abarcar os sentimentos da gente. Que se vayan, que lleven todo el dinero que quieren da gente, dinheiro vai e vem, trabalho também, e o curioso é que estávamos em nossa melhor fase por aqui, telefone, internet, pequenos sonhos de consumo, pequenos prazeres... quem sabe isto não é uma lição de deus para controlarmos estes desejos mundanos, quem sabe não é um chamado ao que é importante, e pode ser que sim, pois só meditando muito, entregando muito, e com muito fervor para conseguir sobrepujar o sentimento que me esquenta por dentro e me faz querer ver tão longe estas duas criaturas. fernanda entra no quarto: vou acender um incenso, elas vem amanhã às 11 para encaixotar tudo e segunda ou terça deve vir a mudança, e esa rocío é louca, louca de atar... sai com o incenso, eu fico com as palavras e recitando meu mantra. amanhã é um novo dia.

coisa de jorge | 24.7.03 | e-mail |


desabafo de um desastre
Nos disseram: 'não dividam, não morem juntos'. A gente: 'não... q isso, eles são super legais, a gente tem vários planos juntos...' O ocorrido: o primeiro, Enrique, para dar nome aos bois, em março foi à Argentina legalizar sua situação para voltar e não voltou. "'vcs não imaginam as angústias q bcn me provoca, nanana" dizia num mail bomba, ficamos de pincel na mão e esperando q Moni (a outra) se recuperasse (o q tardou no total uns 2 meses) da 'traição' do seu amigo de anos. Nesse meio tempo veio para cá Rocío, a mexicana sensível e sofredora, q pedia uma acolhida de uns 10 dias antes de abandonar seu outro lar (brigou com os companheiros de lá...hnn...). No meio da história resolveu ficar, entrar para a 'nossa comunidade'. Bem, começamos a nos desentender com respeito ao que quer dizer a 'nossa comunidade', qd moni, protegida por Rocío resolveu q era vítima da situação e nem entrou na batalha pela sobrevivência em bcn (q sinceramente, não é fácil, mas sem fazer nada digamos q...) total q chegamos ao limite de cobrar delas alguma atitude, ou pelo menos uma mínima atuação de que estavam preocupadas com os próximos meses de aluguel e de que iriam fazer algo a respeito. Nossa cobrança não caiu bem, a postura de vítima voltou junto com um discurso de q buscavam outras maneiras de nos comunicar suas intenções (através de desenhos... sério, ficou pendurado na sacada uns 3 meses um desenho feito num papelão q se chamava sonho q sonha quem sonha, ou algo do tipo... só se for alguém q sonha com a vida boa, jejeje:) e q mais a mais queriam sair desta lógica capitalista do mundo, q faziam o caminho mais difícil, mas esperavam q o 'aguante' fosse maior. O 'aguante' significava pão e café todas as manhãs, fazer almoço e janta quse todos os dias, ir no mrercaod, saber o q falta em casa, baixar o lixo, e em troca mantinham a casa relativamente limpa, lavavam a louça e compravam algumas coisas como chocolate, café, enfim bobagens. Bueno, andávamos todos pisando em ovos durante esse tempo, foi então q surgiu a oportunidade de um trabalho no verão em madrid para Rocío. Ela impôs como condição levar Moni, neste período havia começado a desconfiar q aquela amizade superprotetora virava algo mais, e estava correto: 'hubo amor', q só foi assumido em madrid e confessado por mail, num mesmo mail q nos contava q as coisas por lá não tinham ido bem, e já não trabalhavam mais (q estranho...), mas q mesmo assim conheceram uma gente linda q ia apoiá-las em seus planos de fazer uma ONG, trabalhar com imigração, nanananana (alô terra chamando chicas, terra chamando chicas...). Isso nos pareceu lindo, pois a verdade é q não morríamos de vontade de voltar a viver com elas, mas então entramos na zona delicada. Queriam o dinheiro de volta... waw... bem, por aqui temos q pagar os meses adiantados, dentro de 3 meses temos q juntar uns 2800 euros, q dos quais 1400 depende da gente e o resto de quem estiver morando aqui. Bem, nos colocamos 'nervosamente' a fazer contas e mais contas e a verdade é q cedemos de um lado e cedemos do outro, eu ( negociador oficial, pois o contato entre a nanda e elas é melhor evitar ) e chegamos a uma merda de montes de dinheiro (680 euros) q teremos q dar para elas e mais uma parte de um depósito e mais uma dívida q eu assumi, agora pensando, tem uns outros 100 euros q ficaram flutuando, q bem q podemos colocar na roda, mas igual eu preferia encerrar este assunto e não ver essas meninas nunca mais. pensei muito numas palavras durante este tempo (amor, perdão, pensar no outro, ver deus em tudo, agir com tranquilidade, mas confesso q meu lado irônico e estúpido saltava de tanto em tanto). Total q marcharemos com a maior grana, teremos q arrumar novos companheiros de casa igual (ou seja, nada de viver sozinho de agora em diante), mas creio q estamos aprendendo uma bela lição da vida. Ainda não consigo ver claramente qual é, mas tenho certeza de q é importante passar por isso e se possível sair com a cabeça erguida procurando não prejudicar a ninguém e tentando ser justo. ai, se o tempo voltasse... mas não, arrependimento não é digno e nem condiz com a nossa idade e experiência, vamos é levar essa de peito aberto e entregar pra Deus, q é pai e senhor e nos ajudará a passar por esta tormenta. baba...

coisa de jorge | 22.7.03 | e-mail |


amado mundo voltei !!!
temos conexão full time em casa... nunca achei q fosse acontecer, mas teve q vir um galego vendedor falador bater na nossa porta e oferecer um pacote exatamente do tamanho do nosso orçamento e dos meus ganhos para eu convencer a nanda da necessidade imediata de colocar uns cabos atravessam a casa e q trazem o mundo inteiro aqui pro nosso quarto. nem preciso dizer da nossa alegria e da utilidade q terá isso tudo...

coisa de jorge | 20.7.03 | e-mail |


¡Temos telefone!
oui, para falar com a gente basta chamar o 935 35 10 62, agora o código daqui eu não sei não, acho q é 34, mas é melhor confirmar...

coisa de jorge | 20.7.03 | e-mail |


Aos poucos a vida vai melhorando. tivemos uma longa conversa sobre os sonhos e desejos, um com convicções tão firmes que chegam a gerar torcicolos, outro tão sem nexo que se perde em dores de cabeça nos momentos livres, podemos ser vistos como dois freaks envoltos em um mundo de sonhos difusos, mas ao mesmo tempo vemos claro tanta coisa no nosso futuro, algumas crianças, uma escola quem sabe, alunos, amigos, delícias... e isso alimenta o dia-a-dia. E creio que vamos paso a passo caminhando na direção correta, tanto é assim que depois de sete meses por aqui finalmente temos um telefone e internet em casa. E pode parecer luxo, mas pra fazer o q eu faço (frilances em europa) é uma ferramenta essencial. E no mais pra facilitar um pouco a nossa vida, assim evitamos deslocamentos e ainda podemos ouvir a voz das nossas famílias na sala de casa.

coisa de jorge | 20.7.03 | e-mail |


E de lambuja uma página de espera para Lidio Carraro.com, nada de especial, por enquanto só este desenho q ilustra a idéia de "construindo um site" e aproveite para ver um clip em flash feito pra ajudar a convencer eles do meu design.

coisa de jorge | 16.7.03 | e-mail |


Correria total! Mas tá no ar mais uma produçao cavaleiro: musac.org. Produçao da mondoinfinito. Esse site faz parte da criaçao da identidade visual para um museo de arte contemporáneo de Castilla y León, a ver lo que pasará...

coisa de jorge | 16.7.03 | e-mail |


blues da autopiedade
é quando me assalta a tristeza, e eu, impassível, vendo levarem minha alegria, sabendo que não passam de tonterias, mas mesmo assim fico ali sentado, praguejando na beira do caminho, e nem desculpas tenho pra justificar a minha apatia. pode até vir a outra e me xingar e me remexer, e assim eu me revolto, mas as coisas que revolvem por dentro são feitas do abstrato, do mesmo abstrato que é amar e que é o mesmo abstrato que faz esse amor virar ódio, arte ou uma canção.

coisa de jorge | 13.7.03 | e-mail |


vamos cantar junto até nossos lábios se encontrarem?
numa canção cantada ao acaso. foi assim que encontrei a palavra exata pra explicar o que eu sentia por ti, e isso nesses tempos em que sentir é quase proibido, em que amar de verdade é piegas, em que pegar na mão de mãe é coisa de otário, em que pedir desculpas é sinal de fraqueza, nesses tempos loucos que assustam e atropelam em que até já colocaram dentes em galinhas, pois por estes dias escutei esta canção que falava bonito assim do meu amor por ti, e quando escutei, confesso que chorei, que fui feliz por instantes e acordes, e que corri pra ti, pra te mostrar, olha! o que a gente sente não é nosso, o que a gente pensa tá assim voando pelo mundo, vibrando junto com outras almas, com outras gentes que nem são conhecidas nossas, que não ligam nem escrevem mails, e que mesmo assim sentem e pensam o que a gente sente e nem consegue expressar. escuta, escuta bem e vamos cantar?

coisa de jorge | 12.7.03 | e-mail |


havia esquecido a última vez que se sentiu tão bem
na janela fumava um cigarro, enquanto tragava, entre outras coisas pensava que era tarde, aquele era um dos últimos, não tinha sono e precisava baixar para compra mais. Num impulso caminhou pelo quarto espalhando tédio e tentando encontrar ao alcance da vista algo que a resgatasse, na foto encontrou os olhos, de repente sua visão ficou turva, úmida, voltou de um passo até a janela, soltou a fumaça céu afora. sempre detestara os quartos que cheiravam a cigarro, adorava nina e sempre cantarolava don't smoke in bed, enquanto fumava na janela. cantarolou e lembrou que naquela noite fazia três meses no quartinho, quando chegou pensou que não suportaria três dias, mas ali estava: ela, sua mala ainda mal desfeita, seus livros novos na nova língua comprados num sebo simpático do bairro novo da cidade nova, algumas fotos do passado mal coladas na parede, uma mancha de infiltração e o relógio despertador que o pai havia dado no aeroporto, tragou a fumaça doce pensando como era incrível que tudo era tão novo na sua vida, mas ao mesmo tempo sua realidade era tão cheia de coisas velhas, sorriu intrigada, sempre se intrigava e adorava dizer-se intrigada, chato era que com a única nova amiga que conseguia falar de alguma intimidade e sentir-se em sua própria pele não havia conseguido explicar o que queria dizer aquela palavra, e o pior é que sempre se esquecia de procurar nos dicionários. se esquecia muito e de muitas coisas, e no fundo o que queria era isso mesmo: esquecer muitas coisas. entre elas aqueles olhos, distantes, próximos, ali, colados na parede, ao lado da infiltração. numa noite de insônia e imaginação desenvolveu um grande raciocínio sobre as similitudes entre os olhos e a mancha, que iam muito mais além da cor, mas já havia se esquecido. nisso um vento forte cortou seus devaneios, janelas se bateram, portas se fecharam violentamente, não acreditou: chuva! Quase nunca chovia na nova cidade e já havia esquecido a última vez que havia visto uma tempestade, destas de verão, de cor vermelho intenso e que movem tudo. a água começou a cair no momento da última baforada, sorriu e decidiu: me voy por tabaco.

coisa de jorge | 11.7.03 | e-mail |


ser estátua nas ramblas
são três horas parado, mais a gente que passa e diz coisas feíssimas, ah, sim é claro que tem alguns que dizem coisas lindas, mas é duro ficar ali imóvel, ah, e ainda tem que contar o tempo da maquiagem, fazer um krishna bem feito é difícil, demoramos mais de uma hora. depois paramos uns 15 minutos, comemos um bocadillo e voltamos pra mais umas três ou quatro horas, depende do movimento de gente. É se ganha alguma coisa, tem gente que dá um dinheirinho bom, mas outro tiram e tiram fotos e se vão na maior cara dura, é tudo muito incerto... sim, sim, tudo é incerto nesta vida, mas mesmo assim é duro.

coisa de jorge | 10.7.03 | e-mail |


Uiuiui, e me lembro q um dia prometi um template para os dois, entre outras tantas promesas q fiz na vida e nao cumpri, mas a ver, hj mato aquele código e me dedico a outras coisas, como alegrar os amigos... mas nao promteto nada, pois já sabem...

coisa de jorge | 9.7.03 | e-mail |


Foi então que começou a falar em códigos. O discurso direto sumiu da gramática dele. Tudo virou filosofia.
Pois, a Consu voltou, pelo q entendi de Paris, mas o mais importante nem é isso, é saber q alguém consegue escrever tantas coisas q sentimos e tao bem. Nan, tu tem q ler...

coisa de jorge | 9.7.03 | e-mail |


Artistas são os outros.
E o Pablo tb...

coisa de jorge | 9.7.03 | e-mail |


E nao se fala mais nisso.
A política na tv me provoca desgosto, a tv como um todo me provoca o mesmo sentimento, mas esses espanholes tem uma maneira tão feia de levar a cobertura política, tão suja e tão desrespeitosa com a inteligência alheia. Além de que são na maior parte uns fachas (de facistas... retrógrados, sabe?). O caso é que de verdade acredito que o Aznar leva a eleição de novo, que a esquerda aqui é frouxa e desunida e que tão pouco faria alguma coisa de muito diferente. Ah, os socialistas e seus discursos. Quem tem saco pra tudo aquilo, quem tem saco pro Aznar, pro Zapatero, pro PSOE, pro PP, pra política espanhola? Ninguém, né? então tá combinado não falo mais.

coisa de jorge | 9.7.03 | e-mail |


no llores por mí...
atuava com parcimônia, calculava os passos, escolhia as palavras, os gestos e os sorrisos. Era irreverente, elegante e sedutor, prometia mundos, inebriava com termos, redefinia a realidade, insistia em envolver e se envolver. era argentino.

coisa de jorge | 9.7.03 | e-mail |


Tira o peso de cima, respira leve, olha o céu, nao te comove? ai menina, o mundo quem faz difícil somos nós, o muro construimos nós mesmos de ódios, maldade e tristezas. Existe essa insustentável leveza de exisitr, existe o nao querer e o nao poder, existe tudo isso, mas existe acima de tudo o amar, e é disso que é feita a felicidade. portanto: amemos.

coisa de jorge | 9.7.03 | e-mail |


o tom do mail.
um dos graves problemas da internet é o de compreender o mood do interlocutor. No telefone é fácil identificar quando o sujeito está coqueta ou acabou de levantar com uma ressaca daquelas, o difícil é saber por mail quando o cara tá brincando ou tá te enchendo o saco. Tudo bem que inventaram os emoticons ( :-) isso) mas mesmo assim nem todo mundo faz uso deste expediente para transmitir seus sentimentos. E o pior são os mails comerciais ou de trabalho, em que a exigência de manter uma certa formalidade deixa tudo tão enjoado e com cara de mensagens comercias da reader digest, q enche o saco só de ver o título da mensagem. A solução? Bem, estamos todos nesse barco construindo uma linguagem e uma nova maneira de se comunicar, em que palavras, imagens, som e movimento podem andar juntos, ou se complementar, sem necessariamente dizerem a mesma coisa, mas potencializarem a mensagem. Me considero um pesquisador empírico desta coisa, ainda mais com minhas aventuras freelanceiras além mar. acredito que tenho conduzido tudo da melhor maneira possível, mas ainda creio q falta afinar muita coisa para evitar mal entendidos, e principalmente para perceber as sutilezas do humor de quem te paga e cobra, mesmo que nem sempre com razão.

coisa de jorge | 8.7.03 | e-mail |


Hei mama, meus amigos agora falam outras línguas, mas até que é divertido, pois eles não estão nem aí. Sabe do que mais: juntos fazemos coisas legais e saímos pra caminhar, aliás como caminhamos por aqui, um pouco por falta de grana, outro pra curtir e pensar, e pensamos muito, eu e os meus amigos temos dessas coisas de
pensar e inventar. É, eu sei o que tu tá pensando, não adianta a gente vira mundo e encontra os mesmos de outras maneiras, com outras manias, e é isso aí, a gente vai e cavoca e acha o que se identifica. E olha que nesse meio tempo já conhecemos uma pá de gente, tanta gente que nem dá tempo de ver todo mundo, e tem gente que adoramos e nem vemos direito, que se encontra num pasillo de metro e promete se ligar, se encontrar. como na canção do paulinho da viola, sabe? - sinal fechado, é assim que se chama a música - mas por sorte o sinal está aberto pra nós que somos jovens, isso que nem somos os mais jovens, mas - olha essa, diz que não é pra ficar metido a besta - todo mundo diz que a gente nem parece ter a idade que tem (beirando os trinta) que ficamos alí pelos vinte e meios. Eu me divirto, mas a verdade é que não me incomadam os meus cabelos brancos, e como quem vê cara não vê coração: tem uns que até me chamam de abu, que é uma redução de abuelito, q é vovôzinho em castellano. Mas isso tu também já sabia né? eu nasci velho e não adianta, gosto de saber como foi o antes pra dar o passo pro futuro, gosto de inventar, mas adoro que tenha sabor de deja vu. Pois é isso, vou ficando por aqui, já que não tem volta, manda um abraço pra tia e pra todo mundo, diz que eu tolesgal, que aqui não chove e a gente tem comido bem, e o melhor de tudo, temos comido sempre em companhia muito agradável: na companhia de amigos.

coisa de jorge | 8.7.03 | e-mail |


y aunque estea esperando para recibir dinero, lo que quiero es amor. no quiero ser el sujeto indefinido que camina por las calles, rumbando al costado de la solitud. no, no busco ser este, lo que busco es la sonrisa del que me vende el pan, lo afago del que vive al lado mío, lo que busco es la irmandad, pero es dificil encontrarla, entonces trato de construirla a mi manera, y me sale un mundo en que solo se ve por un lado: lo mío. Pues, nada, acepto ayuda, quién se apunta?

coisa de jorge | 7.7.03 | e-mail |



Barna Bici!
Faz umas semanas comecei uma via crucis atrás de uma bici, tudo começou em sério pq a nanda tem q sair de casa às 5 da manhã pra pegar um trem q saí antes das 6h da praça Catalunya, q está a mais de uma hora caminhando desde a nossa casa e de trem leva uns 10 minutos. Mas como a essa hora não tínhamos certeza se haveria trem pensamos que o melhor seria uma bici pra baixar até lá. O que levaria uns 15 minutos. De uns 4 anos pra cá BCN se encheu de bicis, estão fazendo ciclovias e se vê as magrelas presas por correntes em todos os cantos. Isso porque roubam muita bicicleta por aqui, e se entende, pois são caras e existe uma demanda grande. Uma bici usada sai por tipo 95 euros sem marcha e 120 com marcha, as novas em média 170 euros até 800 euros de uma brompton (nosso sonho de consumo...) mas a média de uma bicicleta nova, com todos os utensílios é de 200 euros. O caso é que pagar essa quantia por uma bici é foda, e além do mais podem te roubar e uma semana, ainda mais pq o q a nanda ia fazer era deixá-la todo dia 'aparcada' no centro e na volta pegá-la, e isso é o maior perigo. No final das contas descobrimos que o metrô, que está a uns 20 minutos caminhando da nossa casa começa a funcionar às 5 da manhã agora, e que a nanda pode pegar os 3 primeiros trens que chega a tempo pra pegar o que vai pro aeroporto. Então decidimos economizar e não comprar bici nenhuma. Ah, outra coisa que esqueci de comentar é q o Àngel nos emprestou a sua bici que estava abandonada na casa de uns amigos, mas o problema é que é uma bici de carrera, uma peugeot estupenda, um pouco suja e tal, mas super boa, leve e rápida, só que muito alta pra nanda, e na verdade até pra mim, pois não gosto muito de bicis de carreira e prefiro as de passeio. E além do mais, descobrimos depois que ela está com um problema na roda traseira, que eu não consegui ajeitar até agora: resultado que ela está parada na entrada de casa e eu fiquei super fissurado em conseguir uma bici de passeio para mim, estilo velha, usada e tal. Não é que nessas de acordar às 4 da manhã e acompanhar a nanda até o metrô passei ontem e hj por uma bici bem no estilo q eu sonhava. Preta, antiga, de passeio, com estilo e charmosa. Ela estava ali no meio do caminho, aparcada sem correntes e nada, no primeiro dia pensei q alguém havia deixado por um tempo, afinal eram 5 da manhã e não tem ninguém na rua, mas hj passei e ela estava no mesmo lugar, batata: peguei! Está aqui em casa ao lado da outra, está com o pneu furado, o freio funcionando mal, o pedal torto e o guidom frouxo, mas vou investir numas ferramentas e me meter de mecânico pra ajeitar ela. Vai ser tri, arrumar minha própria bici e quando perguntarem aonde achei nem vão acreditar que achei na rua. Estou super feliz e ansioso pra me por com tudo nela.

coisa de jorge | 7.7.03 | e-mail |


Uma colega do primeiro grau, a sobrinha da minha ex-colega de trabalho, minha professora orientadora, o irmão do amigo do meu amigo... O mundo é pequeno e barcelona então...

coisa de jorge | 5.7.03 | e-mail |


O ano começou. E agora as férias de verão!
Sim, do outro lado do oceano ano novo fica em junho, férias em agosto, inverno é com o natal e toda hora têm feriado.

coisa de jorge | 5.7.03 | e-mail |


tempo, tempo, tempo mano velho, vai, vai, vai, vai... coisa louca como tudo muda, a fernanda madrugando as francesas chegando as 9 da manha em casa, meus clientes cheios de exigências, eu contente mas enjoado de fazer a mesma coisa e com o musac entalado na garganta louco pra sair, mas sempre tem alguma vírgula para arrumar, uma vírgula que estava lá todo o tempo mas que só fo vista no último dia. mas outro dia chegamos a conclusao de que é assim, de que sempre será assim, sempre terao pressa e atrasarao, sempre será feito na ultima hora e com o clima vc, designer, é q esta nos enrolando, ao pode ser tao difícil assim mudar um par de coisinhas... arran...

coisa de jorge | 5.7.03 | e-mail |


Viver é arriscar-se, jogar contra o sabor do vento, acompanhando as marés num vai e vem de astrais e quetais. Viver é decidir, impor metas, reconhecer limitações, tratar de vencê-las e desistir. Viver é falar, é transformar, racionalizar, entender e não querer ver. Viver é aprender e errar, e aprender errando, e errar outra vez o mesmo erro. Viver é respirar novos ares e o cheiro do passado. Viver é caminhar e ver o céu, os olhos, os mundos e os muros. Viver é ir adiante e voltar ao mesmo ponto. Viver é tudo isso e nada disso. Viver é verbo, abarca, significa e compreende, viver é razão e loucura.

coisa de jorge | 4.7.03 | e-mail |


Pois, deveriam assim serem mais seguidos, no lo creyes?

E tem aqueles tempos em que tudo perde o lugar, as roupas se acumulam nos pés da cama, a louça começa a perder o brilho, é nessa época que as unhas crescem, tornam-se inconvenientes. E vem o dia em que despertamos, céu em alerta e aquela vontade de tirar pó do passado. pra não ter resquício: escovão, água, sabão, joelho no chão, esfregando e esfregando pra tirar aquela ‘coisa’ de pó, casaço e sensações mal resolvidas, que faz uns dias mora embaixo da cama e até ronca em dias de insônia. E esse dia costuma vir azul, moléculas vibrando no ritmo do afoxé, e é então quando movemos os móveis, lemos e nos livramos de folhas, suamos e sorrimos e de tempos em tempos olhamos pro céu, um pouco mais que de costume, e no meio, meio livre pensamento sai assim um muito obrigado, endereçado ao acaso, ao incidente que colocou cinco em uma casa, a dois que se conheceram, amaram, amam e amarão, tudo isso que deus fez de tão bão, e você com jeito de caipira, deslumbrado, inocente, idealista, humanizado pelo sofrimento, pelo aprendizado da estrada, você: sujeito, nome e sobrenome, respira fundo e vê o iluminado que vai estar o amanhã.

coisa de jorge | 4.7.03 | e-mail |


O Blog mudou. E para pior, de maneira q perdi todo o meu template e tive q recuperar um velho. Hj nao terei tempo de arrumar links e arquivos, mas pelo menos recuperei parte do visual, com um ar meio antigo, mas fazer o q...

coisa de jorge | 3.7.03 | e-mail |



ela é perfeita. dobrável, leve, desliza quase voa sobre a terra. Tudo de primeira, linda, linda, linda, só tem um único porém: é cara, mas...igual. Eu quero a minha Brompton

coisa de jorge | 3.7.03 | e-mail |


aim a desainer
Os três, ônibus diagonal mar/praça Cartalunya, ele ainda respirava ares renovados e insistia em falar dos óculos, ela mais atenta ao redor identificou de cara o sotaque: brasileiros - definiu. Acertou, não tardou e já estavam trocando impressões e definindo-se. Determinado momento o outro, músico em castelos franceses pergunta, e tu? qual é a tua? bem, sou designer...espaço em branco e antes de qq resposta completa: o q não quer dizer muita coisa, pois em bcn sacode uma árvore e caem 10 desainers. fecham-se as cortinas.

coisa de jorge | 3.7.03 | e-mail |


na estrada olhou pra trás e se atolou.
tudo era novo na canção e ele assobiando fora do tom,
alguma valsa meio antiga une vell chanson
pensou olhando os prédios e os olhos das pessoas
pegou ela pela mão apertou bem forte e falou
agora é verão em algum lugar, vamos pra lá me amor,
por o pé na terra e pular daquela pedra,
eu te prometi um mundo sem fim e ele está logo ali,
atrás daquela curva meio turva
q insiste em não chegar.
vamos prá lá?

coisa de jorge | 3.7.03 | e-mail |


Grande Festa na Catalunya
Com o solstício as almas se abrem, e então é preciso festejar. Aqui, dia de São João *San Joan, 23 de junho um dia depois do sol impor seu auge, na noite mas curta do ano a catalunya explode em alegria, álcool e fogo literalmente. São centenas de fogueiras por toda parte, petardos e petardos e petardos e a promessa de não dormir e ver o sol nascer na praia. O divertido é ver toda aquela gente que está lá durante o dia de topless, com seus porritos, bocadillos y chupitos, voltar a noite para pasarla bién. Mas algo estranho se pasa. Tudo segue desconstruido, desconctado, inconstante. A ver se me explico: Um evento como aqueles no Brasil teria um puta palco e um puta show na beira da praia e um espetáculo de fogos organizado pelo governo pelo menos. Mas nada, aqui cada uno por la suya, e um palquito chumbrega sona reggae de argentinos sin papels, do outro lado montonazos de botecos cutres pra turista se enchem de música ruim e gente estranha, E no meio uns bebados pelados no amr, velhinhos nostálgicos, famílias bagaceiras, outras elegantes, gente, gente, gente, gente, conhecidos se encontrando nessa cidade tão wannabe cosmopolitan and so provinciana, e estavam lá os punks vendendo cerveja, os guiris vendendo cervejas, os pakis vendendo cerveja, os sudacos vendendo cerveja, todos bebendo cerveja e a polícia tirando mercadoria dos pakis, e só dos pakis até aonde eu vi. A noite foi de fogos, barulhos, conhecidos, amigos e acabou como devem acabar os revellions - que por aqui se chama Revetlla de San Joan, e ninguém foi capaz de me explicar q diabos quer dizer revetlla, mas - voltando ao tema, acabou como devem acabar, de manhã no metro, cansados, exaustos e renovados. Antes disso ainda fomos comer uma macarronada na casa de Edson e Elvira acompanhados de Luchi. Uma noite larga e curiosa, com direito a todas as emoções e a um final de filme, onde a imaginação ajuda a ver mais que as cenas e as palavras.

coisa de jorge | 2.7.03 | e-mail |


Dear Diary

A Fer conseguiu um trampo, já falei que pensei em fellini “eu não trabalhava, alguém dava um duro enao faltava grande coisa lá em casa”, mas já relaxei. 2 meses garantem a gente até o final do ano, o que entrar por fora disso é puro lucro, pois a coisa para e agora é hora de juntar uma grana. O lance principal na perfumaria é reponer perfumes mais que vendê-los, e o mais importante é gerenciar a inserção num delicado ninho de cobras que são os espaços de trabalho. E bem, deve-se reconhecer que as mulheres, por terem o instinto de proteção coletiva mais desenvolvido que os homens, costumam se unir contra “a invasora”. Ainda mais “...quando uma das nossas, meninas! Perdeu o posto que tanto queria para esta broca.” Bem, não nestes termos, óstia! que saco tentar ser políticamente orreto. O lance é esse, onde tem mulheres é difícil outras mulheres entrarem. Acompanhei isso bem, e de perto em toda a minha vida profisssional. mas confio na tigresa, de unhas vermelhas e sorriso cor de mel. E Eu, bem, é difícil um se dar conta e compreender que faz uns sete meses de bcn e ele é um empreendedor, desenvolvendo uma estratégia de inserção mercadológica e criando conceitos. Mientrastanto, sigo com o vinho, que tarda em tomar decisões e depois sugere comprometimento para enfrentar uma maratona, hmpf, fora isso ainda tenho que criar um novo projeto de internet para comércio internacional. Bem, acho q sou um frilancer nas oropas... q txulo!

coisa de jorge | 2.7.03 | e-mail |


 


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